Retrato de safra Líbano

Musar Jeune 2020: a família Hochar e os caminhos do Bekaa

Cinsault, Syrah e Cabernet Sauvignon saem do oeste do Vale do Bekaa para uma leitura jovem da história da família Hochar.

Garrafa de Château Musar Jeune 2020
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Antes de chegar à taça, o vinho da família Hochar cruza duas paisagens libanesas: o Vale do Bekaa, onde crescem as uvas, e Ghazir, onde fica a adega. Essa distância é um bom começo para conhecer Musar. A garrafa reúne o trabalho no campo e as decisões de uma família que atravessa gerações.

Musar Jeune 2020 oferece uma entrada nessa história. É um tinto de Cinsault, Syrah e Cabernet Sauvignon, elaborado em concreto. Para descobri-lo, vale seguir o caminho da família e depois voltar à mesa, onde a curiosidade pode continuar entre uma garfada e outra.

Vinhedos do Château Barka, no Vale do Bekaa, com montanhas ao fundo.Vale do Bekaa, Líbano
Vinhedos do Château Barka, no Vale do Bekaa, com montanhas ao fundo. Uma vista da região vinícola libanesa; não é o vinhedo do Château Musar.Foto: HebaAkasheh · CC BY-SA 4.0

Gaston Hochar entre Bekaa e Ghazir

Os vinhedos da família ficam no Vale do Bekaa; a adega está em Ghazir, voltada para o Mediterrâneo. Entre um lugar e outro há um percurso que também faz parte do vinho: colher, transportar e receber cada lote são etapas de uma mesma decisão.

A continuidade dos Hochar reuniu pessoas com formações diferentes. Mais adiante, os marcos de Gaston, Serge e Ronald ajudam a acompanhar esse caminho. Antes deles, vale guardar a geografia: a origem agrícola e o lugar de elaboração compõem duas paisagens na mesma garrafa.

Referências: Château Musar — Patrimônio e vinificação (abre em nova aba) · Château Musar — A família Hochar (abre em nova aba)

Serge Hochar fala durante uma prova, sentado atrás de garrafas de Château Musar.Serge Hochar · arquivo de 2008
Serge Hochar em uma prova de vinhos em 2008. Filho de Gaston, assumiu a elaboração de Château Musar em 1959. Seu trabalho é um capítulo da trajetória familiar que ajuda a compreender a casa por trás de Jeune.Foto: Deb Harkness (GoodWineUnder20) · CC BY 2.0

O Vale do Bekaa acima do calor costeiro

O Bekaa fica entre as cadeias do Líbano e do Anti-Líbano. A elevação e a diferença entre dias e noites ajudam a compreender por que um país mediterrâneo pode produzir vinhos que conciliam maturação e frescor. Olhar a paisagem muda a expectativa antes mesmo de abrir a garrafa.

A foto desta matéria mostra uma vista regional, de outra propriedade. Ela permite observar a relação entre vinhas e montanhas; a identidade do Musar vem também do manejo e das escolhas de adega. Terroir reúne essas relações, e não apenas uma imagem bonita.

Referências: Château Musar — Patrimônio e vinificação (abre em nova aba)

2020: uma vindima que mudou de ritmo

As uvas do Jeune foram colhidas na última semana de agosto de 2020. A casa registra uma onda de calor em setembro, quando a vindima geral ainda prosseguia. São momentos diferentes: o episódio posterior ajuda a entender o trabalho da adega naquela safra, mas não deve ser atribuído aos cachos já colhidos.

A cronologia é uma boa razão para ler além do ano impresso. Uma vindima reúne parcelas, variedades e datas distintas. O número na garrafa aproxima esses percursos, sem tornar idêntica a experiência de cada lote.

Referências: Château Musar — Musar Jeune Red 2020 (abre em nova aba)

O corte encontra o concreto

Na ficha de 2020, o corte reúne 50% Cinsault, 35% Syrah e 15% Cabernet Sauvignon. Fermentação e repouso acontecem em concreto; o vinho é engarrafado sem filtração. A ausência de barrica deixa a comparação se concentrar na fruta, na textura e na interação entre as uvas.

Na primeira taça, procure perceber o peso do vinho antes de nomear aromas. Depois volte a ele com comida. Esse pequeno intervalo costuma revelar mais que uma lista de descritores: o prato muda o que fica em primeiro plano, e a temperatura também participa da experiência.

Referências: Château Musar — Musar Jeune Red 2020 (abre em nova aba)

O depósito conta parte do método

Musar Jeune é engarrafado sem filtração. Sedimento natural pode surgir e não é sinal automático de defeito. Deixe a garrafa em pé, abra e sirva uma pequena quantidade. Se houver depósito, transfira devagar; se o vinho estiver expressivo, não há motivo para longa decantação.

Como sugestão de serviço, comece entre 14 e 16 °C e acompanhe o vinho enquanto a taça ganha temperatura. Prove antes de decidir por aeração prolongada: a resposta daquela garrafa é mais útil que um tempo fixo de decantação.

Uma mesa que devolve o vinho ao Líbano

Kafta, cordeiro, berinjela assada, homus com carne, lentilhas, tomate, hortelã e sumagre constroem pontes naturais. Fruta e especiaria acompanham o tostado; acidez encontra tomate e limão; tanino encontra proteína. A cozinha libanesa oferece combinações mais eloquentes que uma lista genérica de carnes.

Evite molhos excessivamente doces e pimenta que domine tudo. Sirva em taça de bojo médio, ao centro da refeição. Jeune significa jovem e acessível dentro da família Musar, não simples: a safra e a história do produtor continuam inteiras.

Encontre o Musar Jeune 2020 na El Vinos e leve essa história à mesa. Uma receita, uma garrafa e tempo para acompanhar a taça são um bom começo para conhecer os vinhos do Líbano.

Da leitura à primeira taça

Vinhos desta história

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Líbano · Cinsault (50%), Syrah (35%) e Cabernet Sauvignon (15%)

Château Musar Jeune 2020

Château Musar (família Hochar, Ghazir — fundado em 1930)

R$ 499,52

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Perguntas frequentes

Musar Jeune 2020 passa por barrica?

Não. A ficha oficial registra fermentação e repouso em cubas de concreto.

Que comida experimentar com Musar Jeune?

Nossa sugestão é começar por kafta, berinjela assada ou lentilhas com ervas. O tostado e as especiarias oferecem pontos de encontro com o tinto.

Sem filtração significa vinho defeituoso?

Não. Pode haver depósito natural; defeito deve ser avaliado por aroma, sabor e condição da garrafa.

Fontes e referências

Consulte as fontes utilizadas para os dados históricos e técnicos desta matéria.