Duas leituras de Mendoza Argentina

El Enemigo: dois amigos, uma inquietação e os solos de Gualtallary

Alejandro Vigil e Adrianna Catena aproximaram ciência e história em um projeto que faz Malbec e Cabernet Franc dividirem a mesma conversa.

Garrafa de El Enemigo Malbec 2022
Garrafa de El Enemigo Cabernet Franc 2022
Da nossa seleção, para a sua mesa.
Os vinhos desta história. Consulte a safra disponível na página de cada rótulo.
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El Enemigo tem um nome que parece anunciar uma disputa. A rivalidade proposta pela marca, porém, é interior: enfrentar as próprias limitações. Essa ideia ajuda a compreender o encontro entre Alejandro Vigil, ligado à pesquisa agrícola, e Adrianna Catena, historiadora. Antes de virar uma pergunta sobre qual garrafa levar, El Enemigo é uma história sobre o que duas pessoas decidem fazer com repertórios diferentes.

Na taça, a parceria ganha uma expressão particularmente interessante: um Malbec que acolhe Cabernet Franc e um Cabernet Franc que recebe Malbec. Cada variedade tem sua vez de conduzir o vinho. Acompanhar essa troca permite olhar para Mendoza além de sua uva mais conhecida.

Vinhedos perto de Los Árboles, no Valle de Uco, diante da Cordilheira dos Andes.Valle de Uco, Mendoza, Argentina
Vinhedos perto de Los Árboles, no Valle de Uco, diante da Cordilheira dos Andes. Paisagem da região de Mendoza; a foto não retrata as propriedades dos rótulos apresentados.Foto: David · CC BY 2.0

Um pesquisador de solos encontra uma historiadora

Vigil passou pela pesquisa de solos do INTA, o instituto agropecuário argentino. Adrianna estudou história em Oxford. Na biografia que o projeto publica, os dois aparecem unidos pelo interesse em vinho, mas com instrumentos bastante distintos para entendê-lo: ele observa a matéria do vinhedo; ela traz o hábito de investigar pessoas, contextos e tempo.

É tentador contar um vinho apenas pelo sobrenome famoso no rótulo. Aqui, isso deixaria de fora a parte mais interessante. Uma parceria criativa pode reunir pessoas próximas do mesmo universo e, ainda assim, abrir um espaço próprio de trabalho. El Enemigo permite acompanhar essa autonomia: conhecer a trajetória dos fundadores é o começo da história, enquanto a identidade de cada vinho se constrói em escolhas concretas.

Referências: El Enemigo — equipe, vinhos e fichas de safra (abre em nova aba)

Adrianna Catena, cofundadora de El Enemigo.Adrianna Catena · El Enemigo
Adrianna Catena, historiadora e cofundadora de El Enemigo. Filha de Nicolás e irmã de Ernesto e Laura, construiu com Alejandro Vigil um projeto com identidade própria.Foto: El Enemigo / site oficial

Dante está na casa, a inquietação está no nome

Em Chachingo, na região de Maipú, Casa Vigil aproxima hospitalidade e literatura. A arquitetura inspirada na Divina Comédia é descrita pela reportagem do jornal Los Andes. Inferno, passagem e transformação formam, assim, um contexto cultural para quem se aproxima do universo de Vigil.

A referência tem mais interesse quando permanece aberta. Um livro pode dar forma a uma casa, uma ideia pode dar nome a um projeto, mas nenhum dos dois substitui a uva. Para o leitor, essa camada acrescenta uma pergunta: quanto da personalidade de quem faz vinho chega ao produto? A resposta está menos em decifrar símbolos do que em observar o que o produtor preserva, modifica ou decide experimentar.

Referências: Los Andes — Casa Vigil e a arquitetura inspirada em Dante (abre em nova aba)

O caminho sobe até Gualtallary

As fichas oficiais de El Enemigo Malbec e Cabernet Franc 2023 situam as uvas em Gualtallary, Tupungato, a 1.470 metros. Ambas descrevem solos profundos, calcários e pedregosos. Essa localização se refere aos vinhos daquela safra; ajuda a conhecer a origem trabalhada pelo projeto, sem substituir a identificação da garrafa escolhida.

Altitude, exposição e solo fazem parte das condições com as quais a videira convive. O solo interfere, por exemplo, na água disponível para as raízes; o clima participa do ritmo de maturação. Ainda há manejo, data de colheita e decisões de adega entre a paisagem e a taça. Por isso, calcário não deve virar promessa de um sabor específico, nem metros acima do mar funcionar como escala de qualidade. O lugar importa justamente porque exige interpretação.

Referências: El Enemigo — equipe, vinhos e fichas de safra (abre em nova aba)

Alejandro Vigil, enólogo e cofundador de El Enemigo.Alejandro Vigil · El Enemigo
Alejandro Vigil, enólogo e cofundador de El Enemigo. O trabalho com pesquisa de solos faz parte de sua trajetória e oferece contexto para a atenção às origens do Malbec e do Cabernet Franc.Foto: El Enemigo / site oficial

Quando as uvas trocam de papel

Nas duas fichas de 2023, a variedade principal representa 90% e a companheira, 10%. Malbec e Cabernet Franc alternam essas posições. O catálogo El Vinos também apresenta a dupla como cortes, com uma variedade protagonista em cada rótulo. O nome em destaque, portanto, não significa necessariamente pureza varietal.

Há uma boa experiência de leitura sensorial nessa inversão. Quem chega pelo Malbec encontra um ponto de referência conhecido e pode prestar atenção ao que a outra variedade acrescenta ao conjunto. Quem segue para o Cabernet Franc muda o centro da conversa. Em vez de tentar isolar um ingrediente com precisão de laboratório, vale acompanhar fruta, notas herbais, textura e persistência como partes de um mesmo vinho.

Referências: El Enemigo — equipe, vinhos e fichas de safra (abre em nova aba)

Uma mesa para continuar a história

Se a curiosidade pede os dois, uma refeição simples deixa a comparação respirar. Nossa proposta é um assado com ervas e cogumelos, servido sem molho adocicado. A carne, ou um ragu de lentilhas bem dourado, oferece textura; as ervas criam outra aproximação possível. Não é necessário montar pratos separados nem transformar o jantar numa prova.

O Malbec pode ser a primeira parada de quem já gosta dos tintos argentinos. O Cabernet Franc abre outra direção para quem sente curiosidade por um perfil herbal e especiado, como descreve o catálogo. Sirva pequenas porções, inicialmente na faixa de 16–18 °C indicada pela El Vinos, e observe o que a comida muda. Uma preferência que aparece com o primeiro gole pode se inverter depois de algumas garfadas. Essa descoberta pessoal combina bem com um projeto que começa por questionar certezas.

A história pode continuar à sua mesa: conheça El Enemigo Malbec e Cabernet Franc na El Vinos e escolha a garrafa que desperta sua curiosidade.

Da leitura à primeira taça

Vinhos desta história

Explore os rótulos na El Vinos e escolha o vinho para o seu próximo encontro à mesa.

Argentina · 90% Malbec, 10% Cabernet Franc

El Enemigo Malbec 2022

Bodega Aleanna — Alejandro Vigil & Adrianna Catena

R$ 360,98

Comprar na El Vinos

Argentina · 90% Cabernet Franc, 10% Malbec

El Enemigo Cabernet Franc 2022

Bodega Aleanna — Alejandro Vigil & Adrianna Catena

R$ 360,98

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Para escolher com confiança

Perguntas frequentes

El Enemigo e Gran Enemigo são a mesma linha?

São linhas distintas. Este artigo trata de El Enemigo Malbec e Cabernet Franc; fichas e avaliações de Gran Enemigo pertencem a outros vinhos.

O que Dante tem a ver com El Enemigo?

A Divina Comédia inspira a arquitetura de Casa Vigil, em Chachingo. A referência pertence ao universo cultural do projeto, não a uma característica técnica do vinho.

As proporções do corte são sempre iguais?

A documentação citada informa 90% e 10% para 2023. A composição exata deve acompanhar a safra, inclusive quando a garrafa escolhida é de outro ano.

Fontes e referências

Consulte as fontes utilizadas para os dados históricos e técnicos desta matéria.